Faculdade Aldete Maria Alves
Vanda Paula Freitas da Silva Felipe
A LEITURA NAS SÉRIES INICIAIS: A
ABERTURA DE HORIZONTES
Iturama,
MG
2015
Vanda Paula Freitas da Silva Felipe
A LEITURA NAS SÉRIES INICIAIS: A
ABERTURA DE HORIZONTES
Trabalho de
conclusão de curso apresentado ao curso de Pedagogia, como exigência parcial
para a obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia. Orientadora: Professora
Ma Renata Aparecida de Freitas Araújo e Andrade.
Iturama,
MG
2015
A LEITURA NAS SÉRIES INICIAIS: A ABERTURA DE
HORIZONTES
Vanda
Paula Freitas da Silva Felipe1
Renata
Aparecida de Freitas Araújo e Andrade2
RESUMO
Não
restam dúvidas de que a leitura constitui um elemento essencial no processo de
alfabetização contribuindo para o desenvolvimento social e emocional da
criança, além de implementar benefícios no processo de aquisição da escrita.
Sendo assim, pode-se dizer que a leitura é primordial para a formação integral
da criança bem como para a formação da sua cidadania. Partindo de tais
assertivas, esse trabalho visa a apresentar os mecanismos de aquisição da
leitura nas séries iniciais, discutindo estratégias que garantam o sucesso de
aquisição da leitura. Pretende-se, ainda, revelar de que maneira a leitura
contribui para a formação integral da criança evidenciando que o professor
constitui um elemento motivador em todo esse processo. Para isso será realizada
uma pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo. Serão expostos e analisados
postulados teóricos de Silva (2009), Frantz (2011), Ribeiro (2012) e outros.
Palavras-chave:
Leitura. Literatura Infantil.
Transformação. Incentivo.
INTRODUÇÃO
Não restam dúvidas de que a
leitura constitui um processo essencial para a formação social de um indivíduo,
visto que ela constitui uma fonte de conhecimento, representa a chance de um
olhar crítico perante questões sociais além de permitir a disseminação do
conhecimento e da cultura. É possível afirmar, inclusive, que a evolução da
leitura caminha ao lado do próprio progresso da humanidade, ou seja, ler se
imbrica ao próprio “conhecer” o mundo.
Sendo assim, este trabalho
objetiva refletir sobre o conceito de leitura bem como analisar como tem sido
encarada a aquisição de tal processo nas séries iniciais. Pretende-se, ainda,
refletir acerca das estratégias que garantem uma alfabetização satisfatória na
medida em que se relacionam com o desenvolvimento do gosto pela leitura.
_____________________________
1Graduanda em Licenciatura Plena em Pedagogia pela
Faculdade Aldete Maria Alves- FAMA. Iturama. MG. 2015. vanda-p-2012@hotmail.com
2Mestre em Letras com ênfase em Literaturas em Língua
Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho-UNESP.
Professora da Faculdade Aldete Maria Alves- FAMA.
Frantz (2011, p.24) descreve
que “ler é, pois, atribuir. Nesse processo, não se pode desvincular a
capacidade do leitor de decifrar sinais da sua capacidade de atribuir-lhe
sentimento”. Nota-se, assim, que todo leitor compreende ou interpreta o que
está lendo de forma diversificada, de acordo com o seu próprio entendimento.
Logo, deve ser amplamente valorizado e respeitado aquilo que já é conhecido
pela criança, seu conhecimento de mundo, suas vivências.
Emília e Margarite (2003,
p.14) comparam a leitura ao ato de manejar um automóvel ou um caminhão: “Há
automóvel pequeno, grande, velhos, novos; caminhões, ônibus; tráfegos pesados,
tráfegos leves. Todas essas diferenças requerem flexibilidade por parte do
motorista”. Assim, é o processo de leitura: deve se ter flexibilidade para que
se resolvam e sejam respeitadas as diversidades e diversos níveis de
capacidade.
Uma vez que a flexibilidade
deve existir frente à leitura, deve-se também alfabetizar com flexibilidade,
pois, conforme revela Rauen (2015, p. 09), a leitura é “muito mais que um
instrumento escolar de decodificação de sons. É um passaporte para a entrada na
cultura escrita”.
Deve ser lembrado que a escola
constitui um papel determinante na formação de uma criança leitora, portanto é
no ambiente escolar que a leitura deve ser encarada como um processo prazeroso.
Assim a pesquisa se dispõe a analisar a relação coesa que deve haver entre a
escola, a leitura e a formação de leitores, procurando discutir, inclusive, os
desafios que fazem parte de tal processo.
Para que tais objetivos sejam
alcançados, o trabalho será dividido em três capítulos. O primeiro tem como
objetivo discutir conceitos de leitura evidenciando de que modo ela deve ser
inserida nas séries iniciais a fim de que o processo de alfabetização alcance
sucesso ao mesmo tempo em que se incentiva o contato com a literatura infantil,
universo de magia.
Já o segundo capítulo
destina-se a refletir acerca das diversas contribuições que a leitura pode
oferecer ao desenvolvimento integral da criança, sobretudo, ao contribuir para
a aquisição da habilidade de compreensão e interpretação de textos diversos.
Por fim, o terceiro capítulo ressaltará o papel do professor como elemento
motivador para um contato efetivo com a leitura, já que ele desempenha a função
de orientar e mediar o processo de ensino - aprendizagem, apropriando-se de
teorias que irão nortear sua prática pedagógica no ensino de leitura.
A LEITURA NAS
SÉRIES INICIAIS
A leitura exerce um papel de
fundamental importância nas séries iniciais, pois, por permitir a aquisição da
escrita, a leitura constitui elemento essencial para que a criança seja
alfabetizada. Assim, ela estará preparada para adentrar as séries subsequentes.
Silva (2009) diz que “A
leitura é a base do processo de alfabetização e também de formação da
cidadania. Ao ler uma história, a criança desenvolve todo um potencial crítico:
pensar, duvidar, questionar. Ler é estimulante”. Nota-se, pois, que a leitura é um ponto de
muita relevância nas séries iniciais e no processo de alfabetização, pois é
nesse processo que a criança tem o primeiro contato com a leitura, o que deve
ser feito de forma divertida e prazerosa.
Barros apud Vygostyky (2008,
p.40) postula que as palavras, na medida em que são essenciais, são também
estruturas complexas, visto que “os signos em estruturas complexas desempenham
um papel fundamental na formação [...] do homem estabelecendo significados,
compartilhamentos, percepções e interpretações dos objetos e situações do
mundo”. Pode- se notar que, quando o teórico fala dos signos, ele refere-se à
decodificação do que se escreve. Assim, alcançam grande importância as séries
iniciais que, estágio que pode ficar comprometido caso haja um trabalho
ineficiente com a leitura.
Já para Tomas apud Espíndola
(2009, p.01), o sucesso da alfabetização está intimamente ligado ao sucesso do
processo de leitura:
“O sentido ampliado da alfabetização,
o letramento, [...], designa práticas de leitura e escrita. A entrada da pessoa
no mundo da escrita se dá pela aprendizagem de toda a complexa tecnologia
envolvida no aprendizado do ato de ler e escrever. Além disso, o aluno precisa
saber uso e envolver-se nas atividades da leitura e escrita, pois assim terá um
melhor desempenho na apropriação da leitura e com expectativa em uma
alfabetização com êxito”. (THOMAZ apud ESPÌNOLA, 2009,p.01).
A leitura, portanto, como pode
se notar, é primordial para que as crianças das séries iniciais tenham um
processo de alfabetização com o maior êxito possível, êxito este que é o
esperado, ao final de um ano letivo, por todos aqueles que compõem o processo
de ensino - a aprendizagem e que se preocupam com a Educação.
O que é leitura?
Segundo Thomaz apud Possebon
(2008):
“A
leitura é uma experiência pessoal, a qual não depende somente da decodificação
de símbolos gráficos, mas de todo contexto ligado à história de vida de cada
indivíduo para que este possa relacionar seus conceitos prévios com o conteúdo
do texto e, desta forma, construir o sentido”. (THOMAZ APUD POSSEBON, 2008).
Com isso pode se dizer que
deve ser valorizado o conhecimento de mundo da criança, suas vivências e,
sobretudo, as habilidades que ela já domina, pois todos esses elementos
influenciam no modo como ela entenderá um texto influenciando o sentido que
será captado dele.
Partindo desse princípio,
pode-se afirmar que a leitura não constitui um processo fechado e previsível,
podendo ser influenciado por distintos fatores externos, estando em contínua
construção, devendo ser estimulado para que não perca forças:
“A
leitura é fenômeno humano e, como tal, é necessário que a assumamos em toda a
precariedade de nossa condição humana, e em tudo aquilo que ela encerra de
imprevisível, de imensurável, de inefável, de frágil talvez assim, enquanto professores
possam fazer aos alunos um “convite à leitura” (KLEBIS, 2008, p. 44).
Conclui-se, dessa forma, que a
leitura é um processo contínuo no qual sempre estamos aprendendo aos termos
contato com ela. Assim, a criança terá um melhor desempenho na escola quando se
apropriar verdadeiramente do ato de ler, mas não só pelo ato de ler, de
decodificar, mas, sobretudo quando entende o que está lendo, ou seja, quando
está realmente alfabetizada.
Portanto, a leitura deve
representar para a escola um processo grandioso e determinante como afirma
Thomaz (2009):
“[...] a inserção da leitura, no
contexto escolar, deve ser de forma dinâmica e agradável, utilizando, por
exemplo, do caráter lúdico que pode ser dado às estratégias da leitura. Dessa
forma, enquanto o aluno “aprende a ler”, estará, ao mesmo tempo, desenvolvendo
a sua noção de “ser social”, integrado num contexto ético e crítico”. (THOMAZ,
2009).
É evidente, portanto, que a
leitura é de suma importância para que cada criança cresça como um ser crítico
e consciente, apto a se posicionar diante de questões sociais. Em outras
palavras, a leitura relaciona-se com a própria aquisição da cidadania,
essencial para a vida em sociedade.
Compreensão x interpretação
Para Thomaz (2009) apud
Azenho, (1990, p.44), “num contexto onde a escrita e a leitura fazem parte da
prática cotidiana, a criança tem a oportunidade de observar adultos a leitura
de jornais, bulas, instruções, guias para consultas e busca de informações
específicas ou gerais.” Neste processo, a criança terá sua curiosidade aguçada
perante o que os adultos estão fazendo e passarão a querer descobrir. É desse
modo que ela começará a sua entrada no mundo da leitura, o que deve ser
incentivado no próprio ambiente familiar.
Na visão de Tomaz (2009) apud
Rosa e Pereira (2008, p. 48),
“A
alfabetização vem percorrendo caminhos [...] em que a leitura passou de
elemento propulsor para elemento colaborador, substituindo o conceito de
alfabetizar como ensinar a ler pelo de alfabetizar como ensinar a escrever
[...]. Nesse percurso, os livros para aprender a ler deram lugar a sucessivas
folhas de exercícios que muitas vezes reproduzem em parte as páginas que neles
havia”.
Para Thomaz apud Hoffmann
(2009), o processo de leitura e de escrita transcendem barreiras, humanizam e
aproximam os indivíduos: “Através da leitura todos se tornam iguais, com as
mesmas oportunidades. A leitura, além de tornar o homem mais livre, possibilita
que ele vá a muitos lugares que sem a leitura jamais iria”.
Os processos envolvidos na
compreensão (leitura) e na produção (escrita) da linguagem escrita são
estudados separadamente na Psicologia Cognitiva, pois envolvem processos
cognitivos distintos. A leitura parte da informação visual ao som (decodificação),
enquanto na escrita os segmentos fonológicos são associados a letras
(codificação) (SALLES, PARENTE, 2002, p. 321).
De acordo com os Parâmetros curriculares Nacionais (1998 p.69-70):
“A leitura é o processo no qual o
leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a
partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor,
de tudo o que sabe sobre a linguagem etc. Não se trata de extrair informação,
decodificando letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade
que implica estratégias de seleção, antecipação, inferência e verificação, sem
as quais não é possível proficiência. É o uso desses procedimentos que
possibilita controlar o que vai sendo lido, permitindo tomar decisões diante de
dificuldades de compreensão, avançar na busca de esclarecimentos, validar no
texto suposições feitas”.
A partir desse princípios, podemos distinguir dois conceitos
distintos, muitas vezes, vistos como processos idênticos: compreensão e
interpretação. O primeiro refere-se ao entendimento das informações explícitas
no texto, é como se houvesse uma mera decodificação das informações evidentes
ao passo que o segundo exige reflexão para que se descubra informações
implícitas, mas possíveis de serem inferidas a partir de “pistas” presentes no
texto.
Portanto, compreensão e interpretação são processos que se
relacionam, uma vez que a compreensão auxilia na compreensão, mas não devem ser
vistas como habilidades idênticas. A capacidade interpretativa, na medida em
que exige análise e reflexão, se relaciona mais com a aquisição de senso
crítico devendo ser amplamente valorizada em sala de aula.
Entretanto, é possível dizer
que isso não ocorre, muitas vezes, no processo de ensino - aprendizagem, ou
seja, a leitura pode não estar sendo inserida do forma correta, uma vez que
muitas crianças aprendem a compreender e não a interpretar, um fato que é
preocupante, pois pode contribuir para a formação de indivíduos não aptos à
reflexão.
A AQUISIÇÃO DA
LEITURA NAS SÉRIES INICIAIS
De acordo com Zecabinazi apud Lajolo (2009, p.105),
o espaço escolar adquire responsabilidade decisiva na aquisição da leitura nas
séries iniciais:
“O espaço escolar tem é um espaço no
qual texto tem uma circulação, programada experimental. Acredito que as
experiências de leitura que a escola deve patrocinar precisam ter o objetivo de
capacitar os alunos para que, fora da escola, lidem competentemente com a
imprevisibilidade das situações de leitura (no sentido amplo e no restrito da
expressão) exigida pela vida social”.
Assim, é possível constatar
que um processo de aquisição de leitura satisfatório é aquele que prepara a
criança para enfrentar e entender situações fora do contexto escolar, além do
texto.
Segundo Cunha e Capellini
(2008):
“Para a aquisição da leitura em uma
língua cujo sistema de escrita é alfabético é necessário entender que as letras
correspondem a segmentos sonoros menores, isto é, entender que as letras
representam os fonemas, compreendendo, assim, o princípio alfabético. A criança
necessita desenvolver habilidades específicas para que possa adquirir esta
compreensão” ou seja a criança deve aprender a decodificar os fonemas para
compreender o processo da leitura”. [CUNHA E CAPELLINI, 2008].
Salles e Parente (2002, p.
321) afirmam que “muitos estudos têm sido feitos a respeito da aquisição e
desenvolvimento da leitura. Alguns autores nacionais que adotaram os processos
de leitura em crianças como tema de pesquisa foram Pinheiro (1994), Capovilla e
Capovilla (2000), Cardoso-Martins (1991, 1995), Rego (1995), Kato (1999) e
Cielo (1996).
Os dois últimos autores adotam
uma abordagem predominantemente linguística do tema, enquanto que os primeiros,
juntamente com Lecours e Parente (1997), adotam essencialmente a Psicologia
Cognitiva como abordagem teórica de base.
Lecours e Parente dedicaram-se
ao estudo sistemático dos processos cognitivos no leitor adulto de um sistema
de escrita alfabético, bem como no estudo das dislexias adquiridas, tendo em
vista descobrir meios para incentivar o processo contínuo da leitura.
Porém, para Silva (2009, p.23)
a aquisição da leitura é de fato social que leva ao homem pontos específicos.
Com esse processo pode se dizer que “a leitura, nas suas diferentes formas e
configurações, cumpre propósitos e finalidades de comunicação entre os homens
que interagem em sociedades especificas. Daí dizermos que a leitura é uma
prática social [...]”.
“As
competências de leitura crítica não aparecem automaticamente: precisam ser
ensinadas, incentivadas e dinamizadas pelas escolas para que os estudantes,
desde as séries iniciais, desenvolvam atitudes de questionamento perante os
materiais escritos. Uma democracia, no fundo, assinala a possibilidade de
convivência com diferentes pontos de vista, com diferentes convicções”. (SILVA, 2009, p.23).
De acordo com Pszczol (2008,
p. 11), “apesar de a escrita remontar à Antiguidade, saber ler passa a ser
exigência apenas a partir da era moderna, quando surgem os primeiros vínculos
entre leitura e necessidade social. Com a modernidade, a prática da leitura se
torna pertinente ao mundo do trabalho, à vida pública e ao cotidiano da vida
privada, uma vez que todas essas relações passam a ser mediadas por documentos
escritos”. Cabe destacar que se trata de uma prática na qual se deve ter
conhecimento da documentação em vigência.
Nessa abordagem cognitiva, a
leitura e a escrita são atividades complexas compostas por múltiplos processos
interdependentes. O reconhecimento e a produção de palavras escritas, em um
sistema alfabético de escrita, podem ocorrer por meio de um processo visual
direto (rota lexical) ou através de um processo envolvendo mediação fonológica
(rota fonológica), conforme os modelos de leitura e de escrita de Dupla- Rota
(Salles e Parentes 2006, p. apud Ellis e Young, 1988; Ellis, 1995).
O desempenho na
leitura/escrita de pseudo palavras é usado para inferir o uso da rota
fonológica de leitura e escrita e o desempenho nas palavras irregulares, cuja
correspondência entre fonemas e grafemas é ambígua, exigindo conhecimento
prévio do estímulo para a precisão da resposta é usado para analisar o uso da
rota lexical.
A leitura nas séries iniciais: como incentivar
Como já foi exposto, para que
o hábito de leitura seja adquirido por uma criança, é essencial o incentivo e
um trabalho com êxito em sala de aula, porém o ambiente familiar também adquire
relevância decisiva para que a criança se aproxime dos livros:
“Crianças que convivem com adultos
leitores, entre livros e discussões acerca da leitura que os adultos fazem que
são embasadas por histórias ao pé da cama antes de pegar no sono, obviamente
crescem em condições mais favoráveis à construção de uma relação positiva e
familiar com livros e leituras para o “envolvimento” (KLEBIS, 2008, p. 31).
Dessa forma, é possível concluir que um ambiente familiar
onde a leitura é valorizada tende a contribuir para a formação de crianças
leitoras. E merece destaque nesse contexto a contação de histórias, momento em
que a criança ouve uma história e tem sua imaginação aguçada, sendo levada para
um mundo de fantasias. Lembrando que tais fantasias podem, inclusive,
auxiliá-la no entendimento de sua própria realidade.
O costume do uso da oralidade
já vem desde os tempos primórdios da humanidade, em que os povos repassavam
seus conhecimentos de geração a geração por meio da conversa. Surge, assim, a
figura do contador de história. O contador de história precisa dar vida à
história pelo tom de voz e gestos corporais para prender a atenção do público
ouvinte. Por isso, a importância de se recuperar o ato da contação de história
na escola a qual é responsável pela transmissão do conhecimento e da cultura e
tornando o seu educando num leitor cidadão e critico na sociedade capitalista
(RIBEIRO, 2012, p. 6).
Ribeiro (2012) demonstra,
ainda, que os professores devem também utilizar os contos, pois “os contos de
fadas são uma atividade lúdica, dinâmica e interativa e as crianças usam-lhes
como um entretenimento e despertar para o hábito da leitura. Ela é o passaporte
para o mundo da imaginação e da fantasia dando ênfase ao poder da oralidade”.
Os alunos, quando incentivados
a transcenderem a barreira da imaginação tendem a passar a ter gosto para a
leitura. Analisando o trabalho de poetas, Gardner mostra que tais artistas, ao
criarem poemas, passam por alguns processos complexos de pensamento, incluindo
o esforço para a percepção adequada de cenas, a extração de sensações musicais
e a concretização de imagens sobre as mesmas. O poeta, na visão do autor,
apresenta extrema sensibilidade no que se refere ao significado das palavras, à
ordenação entre elas, aos seus sons, ritmos, inflexões e métrica.
No ato de criação, afirma ele,
"as palavras devem captar com o máximo de fidelidade possível as emoções
ou imagens que animaram o desejo inicial de compor". Gardner, com isso,
faz menção às diferentes funções que podem ser atribuídas à linguagem, enquanto
potencial capaz de estimular, persuadir, encantar, confirmar, transmitir
informações. Registra que, embora nem todos os seres humanos sejam poetas,
possuem tais sensibilidades.
O sentido de um texto pode ser
manifestado por diversas formas e códigos que estabelecem a comunicação entre
os sujeitos. Essas formas e códigos podem aparecer através de gestos, imagens,
produções pictóricas presentes em textos verbais ou não-verbais.
Nota-se que as ilustrações,
principalmente para a criança, são muito importantes, pois criam e recriam
sensações auditivas, visuais, fazendo o sentido ser apreendido. Como afirma
Tavares apud Farias (2007, p.99) “a figuratividade é a forma que toma o discurso,
enquanto texto, para manifestar o sentido”. Nos quadrinhos, isso é bem
percebido através do uso das imagens retratando movimentos, das onomatopeias
representando os sons, dos balões e das letras diferenciadas dependendo do tom
de voz.
Bettelheim (1980, p.16) considera que existem
várias maneiras de incentivar o gosto pela leitura sendo que os contos de fada
constituem um meio para que a criança se “transporte” para onde ela nunca
poderá estar:
“Os contos
de fadas têm um valor inigualável, com quanto oferecem novas dimensões à
imaginação da criança que ela não poderia descobrir verdadeiramente por si só. Ainda
mais importante: a forma e estrutura dos contos de fadas sugerem imagens com as
quais ela pode estruturar seus devaneios e com eles dar melhor direção à sua
vida” (BETTELHEIM, 1980, p.16).
Pelo exposto, é possível concluir que cada gênero textual
apresenta características próprias que, se bem exploradas, permitem o incentivo
à leitura. Assim, deve ser inserida na sala de aula gêneros variados no processo
de incentivar a leitura mostrando à criança toda a magia que advém desse
processo.
O PAPEL DO PROFESSOR
NO INCENTIVO À LEITURA
É
preciso destacar que no processo de valorização da leitura em sala de aula, o
professor desempenha papel essencial e, muitas vezes, decisivo:
“Por sua função mediadora, os
professores são figuras determinantes na construção das relações entre os
sujeitos e a cultura na escola. No entanto, para que a produção dessas relações
se dê no sentido de uma aproximação duradoura entre os estudantes e os
objetivos culturais (dentre os quais, os livros), é de fundamental importância
que as circunstâncias em que se engendram tais relações sejam favoráveis tanto
à constituição de professores - leitores, quanto à formação de alunos -
leitores. Paradoxalmente, a preocupação dos professores quanto ao
desenvolvimento do potencial da leitura de seus alunos- à qual, eventualmente,
encontram-se associadas certas práticas obrigatórias, punitivas e mesmo
proibitivas- tem como contrapartida a possibilidade do afastamento ou do
“desenvolvimento” como subproduto indesejado das relações entre leitores e
livros nas escolas, proporcionadas por perspectivas de trabalho que se apoiam
substantivamente numa visão “de leitura, muitas vezes pautadas pelo
autoritarismo e pela burocratização”. (KLEBIS, 2008, p. 43-44).
Segundo Carvalho (2008, p.59),
“Ler é compartilhar vozes, é dialogar com outras possibilidades; por isso, na
escola, o leitor-professor, que tem suas leituras pegantes, pode compartilhar
com o leitor-aluno essas histórias de leituras”.
Carvalho (2008, p. 59) ainda
diz que o “professor, ao oferecer ao aluno suas leituras, está revelando como
ele foi se constituindo leitor, como foi caminhando com e através do ato de
ler, como foi dialogando com outro sujeito”.
Ainda Carvalho afirma que “é,
principalmente, dessa forma; o professor estará demonstrando (e relembrando,
pois alguns já se esqueceram) que a leitura é o processo que envolve
capacidades de leitura, estratégias, que é caminho e não é nem “dom
sobrenatural ou herança genética” nem “toque mágico”.
Segundo Silva apud Zilberman,
(2001, p. 38) “quando se está capacitado a ser humano a pensar e agir com
liberdade, ainda que mediado pela fantasia e pelo imaginário, a leitura sinaliza
o perigo para sociedade ou indivíduos autoritários”.
Para Silva (1997, p.41-42) “o
ensino da leitura, como proposto pela escola, deve ser feito pelo processo de
ensaio-e-erro. Deve, é claro, haver mais erros do que acertos de modo a
confundir o aluno-leitor. Não o gosto, mas o “desgosto” pela leitura nunca deve
ser incentivado”.
Pode se analisar que “todos os
dias, no interior das escolas, a relação entre os estudantes e a leitura,
aproximando-os ou afastando-os dos livros, vem sendo construída, seja por meio
das práticas e experiências de leitura oferecidas pelos professores e
proporcionadas pela escola, na ausência delas, seja ainda pela simples
observação das relações que seus professores assumem publicamente, dentro ou
fora das salas de aula, com os livros e as leituras. (KLEBIS, 2008, p.34-35).
A importância da instituição
escola no processo de formação de leitores e na constituição de práticas de
letramento mais significa no interior das escolas, apesar de largamente
discutidas, além disso permanece distante de encontrar seus verdadeiro lugar, e
ainda que a escola não seja a única instância responsável pela dinamização das
relações entre sujeito e os objetos culturais, seu papel na construção dessas
relações é primordial, de modo que não podemos pensar a leitura sem considerar
o papel da escola” (KLEBIS, 2008, p.37).
Por sua função mediadora, os
professores são figuras determinantes na construção das relações entre o
sujeito e a cultura na escola. No entanto, para que a produção dessas relações
se dê no sentido de uma aproximação duradoura entre os estudantes e os objetos
culturais (dentre os quais, os livros), é de fundamental importância que as
circunstâncias em que se engendram tais relações sejam favoráveis tanto à
constituição de professores-leitores, quanto à formação de alunos-leitores.
Conclui-se, pois, que um professor - leitor tem mais chances
de formar um aluno - leitor. Dessa forma, percebe-se que o professor deve ter
um bom relacionamento com os livros para que incentive seu aluno a fazer o
mesmo.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
De acordo com o exposto, pode-se afirmar que a leitura é um
processo essencial para a formação e para a alfabetização nas séries iniciais.
Nesse processo, a alfabetização deve ter como recurso primordial o incentivo à leitura
por meio dos contos de fadas, histórias em quadrinhos, poemas e a contação de
história. Portanto, o trabalho com diversos gêneros textuais incentiva a
leitura e, consequentemente, pode contribuir para o sucesso do processo de
alfabetização, que deve ser contínuo e renovador a cada instante.
Logo, constituindo e desempenhando um papel fundamental na
formação, a leitura deve ser incentivada desde a infância no seio da família,
assim a criança estará mais preparada para enfrentar o processo de alfabetização
e a leitura será encarada de forma prazerosa.
É preciso destacar que com a aquisição da leitura a criança
estará mais preparada para a aquisição da escrita. Nota-se, então, que a
leitura apresenta extrema relevância para o processo de alfabetização, pois,
quando somente se decodifica os signos, mas não se consegue extrair
significados, torna-se falho o processo de alfabetização e isso traz
consequências negativas que permearão toda a vida escolar do educando.
A leitura não é um processo previsível, uma vez que pode
receber influência externa, por estar em construção contínua deve ser
incentivada sempre. Dessa forma, a leitura em processo contínuo terá a função
de melhorar o desempenho da criança na aquisição da escrita.
Portanto, a leitura constitui um processo grandioso, sendo de
suma importância para a formação das crianças nas séries iniciais, lembrando
que tal processo pode propiciar à criança uma formação crítica e consciente,
tornando-a apta a se posicionar socialmente e levando-a participar da resolução
de questões sociais.
É preciso lembrar que leitura desenvolve na criança a
compreensão e a interpretação de textos de vários gêneros, porém, para que esse
processo seja absorvido, deve se incentivar sempre a criança ao hábito de ler.
Nesse contexto, o professor ocupa lugar de destaque, pois
será ele, muitas vezes, o responsável por apresentar à criança o universo da
leitura. Assim, é preciso que o professor também seja um leitor eficiente e
consciente da importância do trabalho com os textos literários.
Portanto, esperamos que esse trabalho possa ter contribuído
para o fortalecimento da ideia de que a leitura é um processo que deve ser
desenvolvido e incentivado em todos os estágios da vida de uma criança, já,
para que o processo de alfabetização se dê com êxito, o contato com diversos
gêneros textuais é essencial.
ABSTRACT
READING IN SERIES START: OPENING
HORIZONS
There is no doubt that reading
is an essential element in the literacy process contributing to the social and
emotional development of children, and implement benefits in writing
acquisition process. Thus, it can be said that reading is essential for the integral
formation of the child as well for the formation of their citizenship. Starting
from such assertions, this work aims to present the reading acquisition
mechanisms in the early grades, discussing strategies to ensure the acquisition
of reading success. It is intended also reveal how reading contributes to the
integral formation of children showing that the teacher is a motivating factor
throughout this process. For this a literature search of qualitative will be
held. They will be displayed and analyzed theoretical postulates Silva (2009),
Frantz (2011), Ribeiro (2012) and others.
Key-words: Leiture. Children's Literature. Transformation. Incentive.
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