quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Artigo sobre leitura

Faculdade Aldete Maria Alves
Vanda Paula Freitas da Silva Felipe











A LEITURA NAS SÉRIES INICIAIS: A ABERTURA DE HORIZONTES


















Iturama, MG
2015



Vanda Paula Freitas da Silva Felipe










A LEITURA NAS SÉRIES INICIAIS: A ABERTURA DE HORIZONTES



Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Pedagogia, como exigência parcial para a obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia. Orientadora: Professora Ma Renata Aparecida de Freitas Araújo e Andrade.














Iturama, MG
2015





A LEITURA NAS SÉRIES INICIAIS: A ABERTURA DE HORIZONTES
Vanda Paula Freitas da Silva Felipe1
Renata Aparecida de Freitas Araújo e Andrade2

RESUMO

Não restam dúvidas de que a leitura constitui um elemento essencial no processo de alfabetização contribuindo para o desenvolvimento social e emocional da criança, além de implementar benefícios no processo de aquisição da escrita. Sendo assim, pode-se dizer que a leitura é primordial para a formação integral da criança bem como para a formação da sua cidadania. Partindo de tais assertivas, esse trabalho visa a apresentar os mecanismos de aquisição da leitura nas séries iniciais, discutindo estratégias que garantam o sucesso de aquisição da leitura. Pretende-se, ainda, revelar de que maneira a leitura contribui para a formação integral da criança evidenciando que o professor constitui um elemento motivador em todo esse processo. Para isso será realizada uma pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo. Serão expostos e analisados postulados teóricos de Silva (2009), Frantz (2011), Ribeiro (2012) e outros.

Palavras-chave: Leitura.  Literatura Infantil. Transformação. Incentivo.

INTRODUÇÃO

Não restam dúvidas de que a leitura constitui um processo essencial para a formação social de um indivíduo, visto que ela constitui uma fonte de conhecimento, representa a chance de um olhar crítico perante questões sociais além de permitir a disseminação do conhecimento e da cultura. É possível afirmar, inclusive, que a evolução da leitura caminha ao lado do próprio progresso da humanidade, ou seja, ler se imbrica ao próprio “conhecer” o mundo.
Sendo assim, este trabalho objetiva refletir sobre o conceito de leitura bem como analisar como tem sido encarada a aquisição de tal processo nas séries iniciais. Pretende-se, ainda, refletir acerca das estratégias que garantem uma alfabetização satisfatória na medida em que se relacionam com o desenvolvimento do gosto pela leitura.
_____________________________
1Graduanda em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Faculdade Aldete Maria Alves- FAMA. Iturama. MG. 2015. vanda-p-2012@hotmail.com
2Mestre em Letras com ênfase em Literaturas em Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho-UNESP. Professora da Faculdade Aldete Maria Alves- FAMA.




Frantz (2011, p.24) descreve que “ler é, pois, atribuir. Nesse processo, não se pode desvincular a capacidade do leitor de decifrar sinais da sua capacidade de atribuir-lhe sentimento”. Nota-se, assim, que todo leitor compreende ou interpreta o que está lendo de forma diversificada, de acordo com o seu próprio entendimento. Logo, deve ser amplamente valorizado e respeitado aquilo que já é conhecido pela criança, seu conhecimento de mundo, suas vivências.
Emília e Margarite (2003, p.14) comparam a leitura ao ato de manejar um automóvel ou um caminhão: “Há automóvel pequeno, grande, velhos, novos; caminhões, ônibus; tráfegos pesados, tráfegos leves. Todas essas diferenças requerem flexibilidade por parte do motorista”. Assim, é o processo de leitura: deve se ter flexibilidade para que se resolvam e sejam respeitadas as diversidades e diversos níveis de capacidade.
Uma vez que a flexibilidade deve existir frente à leitura, deve-se também alfabetizar com flexibilidade, pois, conforme revela Rauen (2015, p. 09), a leitura é “muito mais que um instrumento escolar de decodificação de sons. É um passaporte para a entrada na cultura escrita”.  
Deve ser lembrado que a escola constitui um papel determinante na formação de uma criança leitora, portanto é no ambiente escolar que a leitura deve ser encarada como um processo prazeroso. Assim a pesquisa se dispõe a analisar a relação coesa que deve haver entre a escola, a leitura e a formação de leitores, procurando discutir, inclusive, os desafios que fazem parte de tal processo.
Para que tais objetivos sejam alcançados, o trabalho será dividido em três capítulos. O primeiro tem como objetivo discutir conceitos de leitura evidenciando de que modo ela deve ser inserida nas séries iniciais a fim de que o processo de alfabetização alcance sucesso ao mesmo tempo em que se incentiva o contato com a literatura infantil, universo de magia.
Já o segundo capítulo destina-se a refletir acerca das diversas contribuições que a leitura pode oferecer ao desenvolvimento integral da criança, sobretudo, ao contribuir para a aquisição da habilidade de compreensão e interpretação de textos diversos. Por fim, o terceiro capítulo ressaltará o papel do professor como elemento motivador para um contato efetivo com a leitura, já que ele desempenha a função de orientar e mediar o processo de ensino - aprendizagem, apropriando-se de teorias que irão nortear sua prática pedagógica no ensino de leitura.

A LEITURA NAS SÉRIES INICIAIS


A leitura exerce um papel de fundamental importância nas séries iniciais, pois, por permitir a aquisição da escrita, a leitura constitui elemento essencial para que a criança seja alfabetizada. Assim, ela estará preparada para adentrar as séries subsequentes.
Silva (2009) diz que “A leitura é a base do processo de alfabetização e também de formação da cidadania. Ao ler uma história, a criança desenvolve todo um potencial crítico: pensar, duvidar, questionar. Ler é estimulante”.  Nota-se, pois, que a leitura é um ponto de muita relevância nas séries iniciais e no processo de alfabetização, pois é nesse processo que a criança tem o primeiro contato com a leitura, o que deve ser feito de forma divertida e prazerosa. 
Barros apud Vygostyky (2008, p.40) postula que as palavras, na medida em que são essenciais, são também estruturas complexas, visto que “os signos em estruturas complexas desempenham um papel fundamental na formação [...] do homem estabelecendo significados, compartilhamentos, percepções e interpretações dos objetos e situações do mundo”. Pode- se notar que, quando o teórico fala dos signos, ele refere-se à decodificação do que se escreve. Assim, alcançam grande importância as séries iniciais que, estágio que pode ficar comprometido caso haja um trabalho ineficiente com a leitura.
Já para Tomas apud Espíndola (2009, p.01), o sucesso da alfabetização está intimamente ligado ao sucesso do processo de leitura:

“O sentido ampliado da alfabetização, o letramento, [...], designa práticas de leitura e escrita. A entrada da pessoa no mundo da escrita se dá pela aprendizagem de toda a complexa tecnologia envolvida no aprendizado do ato de ler e escrever. Além disso, o aluno precisa saber uso e envolver-se nas atividades da leitura e escrita, pois assim terá um melhor desempenho na apropriação da leitura e com expectativa em uma alfabetização com êxito”. (THOMAZ apud ESPÌNOLA, 2009,p.01).

A leitura, portanto, como pode se notar, é primordial para que as crianças das séries iniciais tenham um processo de alfabetização com o maior êxito possível, êxito este que é o esperado, ao final de um ano letivo, por todos aqueles que compõem o processo de ensino - a aprendizagem e que se preocupam com a Educação.

O que é leitura?

Segundo Thomaz apud Possebon (2008):

“A leitura é uma experiência pessoal, a qual não depende somente da decodificação de símbolos gráficos, mas de todo contexto ligado à história de vida de cada indivíduo para que este possa relacionar seus conceitos prévios com o conteúdo do texto e, desta forma, construir o sentido”. (THOMAZ APUD POSSEBON, 2008).


Com isso pode se dizer que deve ser valorizado o conhecimento de mundo da criança, suas vivências e, sobretudo, as habilidades que ela já domina, pois todos esses elementos influenciam no modo como ela entenderá um texto influenciando o sentido que será captado dele.
Partindo desse princípio, pode-se afirmar que a leitura não constitui um processo fechado e previsível, podendo ser influenciado por distintos fatores externos, estando em contínua construção, devendo ser estimulado para que não perca forças:

“A leitura é fenômeno humano e, como tal, é necessário que a assumamos em toda a precariedade de nossa condição humana, e em tudo aquilo que ela encerra de imprevisível, de imensurável, de inefável, de frágil talvez assim, enquanto professores possam fazer aos alunos um “convite à leitura” (KLEBIS, 2008, p. 44).

Conclui-se, dessa forma, que a leitura é um processo contínuo no qual sempre estamos aprendendo aos termos contato com ela. Assim, a criança terá um melhor desempenho na escola quando se apropriar verdadeiramente do ato de ler, mas não só pelo ato de ler, de decodificar, mas, sobretudo quando entende o que está lendo, ou seja, quando está realmente alfabetizada.                                                               
Portanto, a leitura deve representar para a escola um processo grandioso e determinante como afirma Thomaz (2009):

“[...] a inserção da leitura, no contexto escolar, deve ser de forma dinâmica e agradável, utilizando, por exemplo, do caráter lúdico que pode ser dado às estratégias da leitura. Dessa forma, enquanto o aluno “aprende a ler”, estará, ao mesmo tempo, desenvolvendo a sua noção de “ser social”, integrado num contexto ético e crítico”. (THOMAZ, 2009).

É evidente, portanto, que a leitura é de suma importância para que cada criança cresça como um ser crítico e consciente, apto a se posicionar diante de questões sociais. Em outras palavras, a leitura relaciona-se com a própria aquisição da cidadania, essencial para a vida em sociedade.

Compreensão x interpretação

Para Thomaz (2009) apud Azenho, (1990, p.44), “num contexto onde a escrita e a leitura fazem parte da prática cotidiana, a criança tem a oportunidade de observar adultos a leitura de jornais, bulas, instruções, guias para consultas e busca de informações específicas ou gerais.” Neste processo, a criança terá sua curiosidade aguçada perante o que os adultos estão fazendo e passarão a querer descobrir. É desse modo que ela começará a sua entrada no mundo da leitura, o que deve ser incentivado no próprio ambiente familiar.
Na visão de Tomaz (2009) apud Rosa e Pereira (2008, p. 48),

“A alfabetização vem percorrendo caminhos [...] em que a leitura passou de elemento propulsor para elemento colaborador, substituindo o conceito de alfabetizar como ensinar a ler pelo de alfabetizar como ensinar a escrever [...]. Nesse percurso, os livros para aprender a ler deram lugar a sucessivas folhas de exercícios que muitas vezes reproduzem em parte as páginas que neles havia”.

Para Thomaz apud Hoffmann (2009), o processo de leitura e de escrita transcendem barreiras, humanizam e aproximam os indivíduos: “Através da leitura todos se tornam iguais, com as mesmas oportunidades. A leitura, além de tornar o homem mais livre, possibilita que ele vá a muitos lugares que sem a leitura jamais iria”.
Os processos envolvidos na compreensão (leitura) e na produção (escrita) da linguagem escrita são estudados separadamente na Psicologia Cognitiva, pois envolvem processos cognitivos distintos. A leitura parte da informação visual ao som (decodificação), enquanto na escrita os segmentos fonológicos são associados a letras (codificação) (SALLES, PARENTE, 2002, p. 321).
De acordo com os Parâmetros curriculares Nacionais (1998 p.69-70):

“A leitura é o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a linguagem etc. Não se trata de extrair informação, decodificando letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que implica estratégias de seleção, antecipação, inferência e verificação, sem as quais não é possível proficiência. É o uso desses procedimentos que possibilita controlar o que vai sendo lido, permitindo tomar decisões diante de dificuldades de compreensão, avançar na busca de esclarecimentos, validar no texto suposições feitas”.

A partir desse princípios, podemos distinguir dois conceitos distintos, muitas vezes, vistos como processos idênticos: compreensão e interpretação. O primeiro refere-se ao entendimento das informações explícitas no texto, é como se houvesse uma mera decodificação das informações evidentes ao passo que o segundo exige reflexão para que se descubra informações implícitas, mas possíveis de serem inferidas a partir de “pistas” presentes no texto.
Portanto, compreensão e interpretação são processos que se relacionam, uma vez que a compreensão auxilia na compreensão, mas não devem ser vistas como habilidades idênticas. A capacidade interpretativa, na medida em que exige análise e reflexão, se relaciona mais com a aquisição de senso crítico devendo ser amplamente valorizada em sala de aula.
Entretanto, é possível dizer que isso não ocorre, muitas vezes, no processo de ensino - aprendizagem, ou seja, a leitura pode não estar sendo inserida do forma correta, uma vez que muitas crianças aprendem a compreender e não a interpretar, um fato que é preocupante, pois pode contribuir para a formação de indivíduos não aptos à reflexão.

A AQUISIÇÃO DA LEITURA NAS SÉRIES INICIAIS


De acordo com Zecabinazi apud Lajolo (2009, p.105), o espaço escolar adquire responsabilidade decisiva na aquisição da leitura nas séries iniciais:


“O espaço escolar tem é um espaço no qual texto tem uma circulação, programada experimental. Acredito que as experiências de leitura que a escola deve patrocinar precisam ter o objetivo de capacitar os alunos para que, fora da escola, lidem competentemente com a imprevisibilidade das situações de leitura (no sentido amplo e no restrito da expressão) exigida pela vida social”.

Assim, é possível constatar que um processo de aquisição de leitura satisfatório é aquele que prepara a criança para enfrentar e entender situações fora do contexto escolar, além do texto.
Segundo Cunha e Capellini (2008):

“Para a aquisição da leitura em uma língua cujo sistema de escrita é alfabético é necessário entender que as letras correspondem a segmentos sonoros menores, isto é, entender que as letras representam os fonemas, compreendendo, assim, o princípio alfabético. A criança necessita desenvolver habilidades específicas para que possa adquirir esta compreensão” ou seja a criança deve aprender a decodificar os fonemas para compreender o processo da leitura”. [CUNHA E CAPELLINI, 2008].

Salles e Parente (2002, p. 321) afirmam que “muitos estudos têm sido feitos a respeito da aquisição e desenvolvimento da leitura. Alguns autores nacionais que adotaram os processos de leitura em crianças como tema de pesquisa foram Pinheiro (1994), Capovilla e Capovilla (2000), Cardoso-Martins (1991, 1995), Rego (1995), Kato (1999) e Cielo (1996).
Os dois últimos autores adotam uma abordagem predominantemente linguística do tema, enquanto que os primeiros, juntamente com Lecours e Parente (1997), adotam essencialmente a Psicologia Cognitiva como abordagem teórica de base.
Lecours e Parente dedicaram-se ao estudo sistemático dos processos cognitivos no leitor adulto de um sistema de escrita alfabético, bem como no estudo das dislexias adquiridas, tendo em vista descobrir meios para incentivar o processo contínuo da leitura.
Porém, para Silva (2009, p.23) a aquisição da leitura é de fato social que leva ao homem pontos específicos. Com esse processo pode se dizer que “a leitura, nas suas diferentes formas e configurações, cumpre propósitos e finalidades de comunicação entre os homens que interagem em sociedades especificas. Daí dizermos que a leitura é uma prática social [...]”.

“As competências de leitura crítica não aparecem automaticamente: precisam ser ensinadas, incentivadas e dinamizadas pelas escolas para que os estudantes, desde as séries iniciais, desenvolvam atitudes de questionamento perante os materiais escritos. Uma democracia, no fundo, assinala a possibilidade de convivência com diferentes pontos de vista, com diferentes convicções”. (SILVA, 2009, p.23).

De acordo com Pszczol (2008, p. 11), “apesar de a escrita remontar à Antiguidade, saber ler passa a ser exigência apenas a partir da era moderna, quando surgem os primeiros vínculos entre leitura e necessidade social. Com a modernidade, a prática da leitura se torna pertinente ao mundo do trabalho, à vida pública e ao cotidiano da vida privada, uma vez que todas essas relações passam a ser mediadas por documentos escritos”. Cabe destacar que se trata de uma prática na qual se deve ter conhecimento da documentação em vigência.
Nessa abordagem cognitiva, a leitura e a escrita são atividades complexas compostas por múltiplos processos interdependentes. O reconhecimento e a produção de palavras escritas, em um sistema alfabético de escrita, podem ocorrer por meio de um processo visual direto (rota lexical) ou através de um processo envolvendo mediação fonológica (rota fonológica), conforme os modelos de leitura e de escrita de Dupla- Rota (Salles e Parentes 2006, p. apud Ellis e Young, 1988; Ellis, 1995).
O desempenho na leitura/escrita de pseudo palavras é usado para inferir o uso da rota fonológica de leitura e escrita e o desempenho nas palavras irregulares, cuja correspondência entre fonemas e grafemas é ambígua, exigindo conhecimento prévio do estímulo para a precisão da resposta é usado para analisar o uso da rota lexical.

A leitura nas séries iniciais: como incentivar

Como já foi exposto, para que o hábito de leitura seja adquirido por uma criança, é essencial o incentivo e um trabalho com êxito em sala de aula, porém o ambiente familiar também adquire relevância decisiva para que a criança se aproxime dos livros:

“Crianças que convivem com adultos leitores, entre livros e discussões acerca da leitura que os adultos fazem que são embasadas por histórias ao pé da cama antes de pegar no sono, obviamente crescem em condições mais favoráveis à construção de uma relação positiva e familiar com livros e leituras para o “envolvimento” (KLEBIS, 2008, p. 31).

Dessa forma, é possível concluir que um ambiente familiar onde a leitura é valorizada tende a contribuir para a formação de crianças leitoras. E merece destaque nesse contexto a contação de histórias, momento em que a criança ouve uma história e tem sua imaginação aguçada, sendo levada para um mundo de fantasias. Lembrando que tais fantasias podem, inclusive, auxiliá-la no entendimento de sua própria realidade.
O costume do uso da oralidade já vem desde os tempos primórdios da humanidade, em que os povos repassavam seus conhecimentos de geração a geração por meio da conversa. Surge, assim, a figura do contador de história. O contador de história precisa dar vida à história pelo tom de voz e gestos corporais para prender a atenção do público ouvinte. Por isso, a importância de se recuperar o ato da contação de história na escola a qual é responsável pela transmissão do conhecimento e da cultura e tornando o seu educando num leitor cidadão e critico na sociedade capitalista (RIBEIRO, 2012, p. 6).
Ribeiro (2012) demonstra, ainda, que os professores devem também utilizar os contos, pois “os contos de fadas são uma atividade lúdica, dinâmica e interativa e as crianças usam-lhes como um entretenimento e despertar para o hábito da leitura. Ela é o passaporte para o mundo da imaginação e da fantasia dando ênfase ao poder da oralidade”.
Os alunos, quando incentivados a transcenderem a barreira da imaginação tendem a passar a ter gosto para a leitura. Analisando o trabalho de poetas, Gardner mostra que tais artistas, ao criarem poemas, passam por alguns processos complexos de pensamento, incluindo o esforço para a percepção adequada de cenas, a extração de sensações musicais e a concretização de imagens sobre as mesmas. O poeta, na visão do autor, apresenta extrema sensibilidade no que se refere ao significado das palavras, à ordenação entre elas, aos seus sons, ritmos, inflexões e métrica.
No ato de criação, afirma ele, "as palavras devem captar com o máximo de fidelidade possível as emoções ou imagens que animaram o desejo inicial de compor". Gardner, com isso, faz menção às diferentes funções que podem ser atribuídas à linguagem, enquanto potencial capaz de estimular, persuadir, encantar, confirmar, transmitir informações. Registra que, embora nem todos os seres humanos sejam poetas, possuem tais sensibilidades.
O sentido de um texto pode ser manifestado por diversas formas e códigos que estabelecem a comunicação entre os sujeitos. Essas formas e códigos podem aparecer através de gestos, imagens, produções pictóricas presentes em textos verbais ou não-verbais.
Nota-se que as ilustrações, principalmente para a criança, são muito importantes, pois criam e recriam sensações auditivas, visuais, fazendo o sentido ser apreendido. Como afirma Tavares apud Farias (2007, p.99) “a figuratividade é a forma que toma o discurso, enquanto texto, para manifestar o sentido”. Nos quadrinhos, isso é bem percebido através do uso das imagens retratando movimentos, das onomatopeias representando os sons, dos balões e das letras diferenciadas dependendo do tom de voz.
 Bettelheim (1980, p.16) considera que existem várias maneiras de incentivar o gosto pela leitura sendo que os contos de fada constituem um meio para que a criança se “transporte” para onde ela nunca poderá estar:

“Os contos de fadas têm um valor inigualável, com quanto oferecem novas dimensões à imaginação da criança que ela não poderia descobrir verdadeiramente por si só. Ainda mais importante: a forma e estrutura dos contos de fadas sugerem imagens com as quais ela pode estruturar seus devaneios e com eles dar melhor direção à sua vida” (BETTELHEIM, 1980, p.16).


Pelo exposto, é possível concluir que cada gênero textual apresenta características próprias que, se bem exploradas, permitem o incentivo à leitura. Assim, deve ser inserida na sala de aula gêneros variados no processo de incentivar a leitura mostrando à criança toda a magia que advém desse processo.

O PAPEL DO PROFESSOR NO INCENTIVO À LEITURA


         É preciso destacar que no processo de valorização da leitura em sala de aula, o professor desempenha papel essencial e, muitas vezes, decisivo:

“Por sua função mediadora, os professores são figuras determinantes na construção das relações entre os sujeitos e a cultura na escola. No entanto, para que a produção dessas relações se dê no sentido de uma aproximação duradoura entre os estudantes e os objetivos culturais (dentre os quais, os livros), é de fundamental importância que as circunstâncias em que se engendram tais relações sejam favoráveis tanto à constituição de professores - leitores, quanto à formação de alunos - leitores. Paradoxalmente, a preocupação dos professores quanto ao desenvolvimento do potencial da leitura de seus alunos- à qual, eventualmente, encontram-se associadas certas práticas obrigatórias, punitivas e mesmo proibitivas- tem como contrapartida a possibilidade do afastamento ou do “desenvolvimento” como subproduto indesejado das relações entre leitores e livros nas escolas, proporcionadas por perspectivas de trabalho que se apoiam substantivamente numa visão “de leitura, muitas vezes pautadas pelo autoritarismo e pela burocratização”. (KLEBIS, 2008, p. 43-44).

Segundo Carvalho (2008, p.59), “Ler é compartilhar vozes, é dialogar com outras possibilidades; por isso, na escola, o leitor-professor, que tem suas leituras pegantes, pode compartilhar com o leitor-aluno essas histórias de leituras”.
Carvalho (2008, p. 59) ainda diz que o “professor, ao oferecer ao aluno suas leituras, está revelando como ele foi se constituindo leitor, como foi caminhando com e através do ato de ler, como foi dialogando com outro sujeito”.
Ainda Carvalho afirma que “é, principalmente, dessa forma; o professor estará demonstrando (e relembrando, pois alguns já se esqueceram) que a leitura é o processo que envolve capacidades de leitura, estratégias, que é caminho e não é nem “dom sobrenatural ou herança genética” nem “toque mágico”.
Segundo Silva apud Zilberman, (2001, p. 38) “quando se está capacitado a ser humano a pensar e agir com liberdade, ainda que mediado pela fantasia e pelo imaginário, a leitura sinaliza o perigo para sociedade ou indivíduos autoritários”.
Para Silva (1997, p.41-42) “o ensino da leitura, como proposto pela escola, deve ser feito pelo processo de ensaio-e-erro. Deve, é claro, haver mais erros do que acertos de modo a confundir o aluno-leitor. Não o gosto, mas o “desgosto” pela leitura nunca deve ser incentivado”.
Pode se analisar que “todos os dias, no interior das escolas, a relação entre os estudantes e a leitura, aproximando-os ou afastando-os dos livros, vem sendo construída, seja por meio das práticas e experiências de leitura oferecidas pelos professores e proporcionadas pela escola, na ausência delas, seja ainda pela simples observação das relações que seus professores assumem publicamente, dentro ou fora das salas de aula, com os livros e as leituras. (KLEBIS, 2008, p.34-35).
A importância da instituição escola no processo de formação de leitores e na constituição de práticas de letramento mais significa no interior das escolas, apesar de largamente discutidas, além disso permanece distante de encontrar seus verdadeiro lugar, e ainda que a escola não seja a única instância responsável pela dinamização das relações entre sujeito e os objetos culturais, seu papel na construção dessas relações é primordial, de modo que não podemos pensar a leitura sem considerar o papel da escola” (KLEBIS, 2008, p.37).
Por sua função mediadora, os professores são figuras determinantes na construção das relações entre o sujeito e a cultura na escola. No entanto, para que a produção dessas relações se dê no sentido de uma aproximação duradoura entre os estudantes e os objetos culturais (dentre os quais, os livros), é de fundamental importância que as circunstâncias em que se engendram tais relações sejam favoráveis tanto à constituição de professores-leitores, quanto à formação de alunos-leitores.
Conclui-se, pois, que um professor - leitor tem mais chances de formar um aluno - leitor. Dessa forma, percebe-se que o professor deve ter um bom relacionamento com os livros para que incentive seu aluno a fazer o mesmo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com o exposto, pode-se afirmar que a leitura é um processo essencial para a formação e para a alfabetização nas séries iniciais. Nesse processo, a alfabetização deve ter como recurso primordial o incentivo à leitura por meio dos contos de fadas, histórias em quadrinhos, poemas e a contação de história. Portanto, o trabalho com diversos gêneros textuais incentiva a leitura e, consequentemente, pode contribuir para o sucesso do processo de alfabetização, que deve ser contínuo e renovador a cada instante.
Logo, constituindo e desempenhando um papel fundamental na formação, a leitura deve ser incentivada desde a infância no seio da família, assim a criança estará mais preparada para enfrentar o processo de alfabetização e a leitura será encarada de forma prazerosa.
É preciso destacar que com a aquisição da leitura a criança estará mais preparada para a aquisição da escrita. Nota-se, então, que a leitura apresenta extrema relevância para o processo de alfabetização, pois, quando somente se decodifica os signos, mas não se consegue extrair significados, torna-se falho o processo de alfabetização e isso traz consequências negativas que permearão toda a vida escolar do educando.
A leitura não é um processo previsível, uma vez que pode receber influência externa, por estar em construção contínua deve ser incentivada sempre. Dessa forma, a leitura em processo contínuo terá a função de melhorar o desempenho da criança na aquisição da escrita.
Portanto, a leitura constitui um processo grandioso, sendo de suma importância para a formação das crianças nas séries iniciais, lembrando que tal processo pode propiciar à criança uma formação crítica e consciente, tornando-a apta a se posicionar socialmente e levando-a participar da resolução de questões sociais.
É preciso lembrar que leitura desenvolve na criança a compreensão e a interpretação de textos de vários gêneros, porém, para que esse processo seja absorvido, deve se incentivar sempre a criança ao hábito de ler.
Nesse contexto, o professor ocupa lugar de destaque, pois será ele, muitas vezes, o responsável por apresentar à criança o universo da leitura. Assim, é preciso que o professor também seja um leitor eficiente e consciente da importância do trabalho com os textos literários.
Portanto, esperamos que esse trabalho possa ter contribuído para o fortalecimento da ideia de que a leitura é um processo que deve ser desenvolvido e incentivado em todos os estágios da vida de uma criança, já, para que o processo de alfabetização se dê com êxito, o contato com diversos gêneros textuais é essencial.

ABSTRACT

READING IN SERIES START: OPENING HORIZONS

There is no doubt that reading is an essential element in the literacy process contributing to the social and emotional development of children, and implement benefits in writing acquisition process. Thus, it can be said that reading is essential for the integral formation of the child as well for the formation of their citizenship. Starting from such assertions, this work aims to present the reading acquisition mechanisms in the early grades, discussing strategies to ensure the acquisition of reading success. It is intended also reveal how reading contributes to the integral formation of children showing that the teacher is a motivating factor throughout this process. For this a literature search of qualitative will be held. They will be displayed and analyzed theoretical postulates Silva (2009), Frantz (2011), Ribeiro (2012) and others.

Key-words: Leiture. Children's Literature. Transformation. Incentive.

REFERÊNCIAS

BARROS, Fernanda Castelfranchi de, Aquisição da leitura no processo de alfabetização contribuições do ensino desenvolvimental  com foco no motivo da aprendizagem. Goiânia-GO, 2008. Disponivél em <http://tede.biblioteca.ucg.br/tde_ busca/arquivo. php?codArquivo=540> acesso em 08 de set. de 2015.

BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.

BETTELHEIM, B. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra,1980. P.16.

CUNHA,Vera Lúcia Orlandi & CAPELLINI,Simone Aparecida. Desempenho de escolares de 1ª a 4ª série do ensino fundamental nas provas de habilidades metafonológicas e de leitura– PROHMELE.-Ver. Soc. Bras. Fonoaudiol. 2009 Disponivél em <http://www.scielo. br/pdf/rsbf/v14n1/11.pdf> acesso em 17/10/2015.

CARVALHO, D. C. de. Leitura na escola: Caminho para a sua dinamização.- São Paulo. Global: ALB- Associação de leitura do Brasil, 2008.

FELTRIN RAUEN, A. R.; Artigo: Prática Pedagógica que Estimula a leitura. p 9. Disponível em <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/390-4.pdf> acesso em 12 de maio de 2015.

FERREIRO, Emilia; PALACIO, Magarita Gomes. Os processos de leitura e escrita: Novas perspectivas.-3 ed.- Porto Alegre: Artes Medicas.1987,p 276.

FRANTZ,Maria Helena Zancam. A leitura nas séries iniciais. –Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

GARDNER, Howard. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre: Artmed, 1994.

KLEBIS, Carlo Eduardo de Oliveira. Leitura na escola: Problema e tentativa de solução. São Paulo: Global: ALB- Associação de leitura do Brasil, 2008.

KLEIMAN, A. Texto e leitor: Aspectos cognitivos da leitura.14. ed. Campinas: Pontes Editores, 2011.

PSZCZOL, Eliane. Leitura na escola: O papel do proler em uma política nacional de leitura. Global: ALB-Associação de leitura do Brasil, 2008.

EICHENBERG, R. C.; AGUIAR, V. T. Literatura na escola: um projeto de incentivo à leitura. (PUCRS, 2004). Disponível em <http://www.unisc.br/portal/images/stories/mestrado/ letras/coloquios/ii/literatura_na_escola.pdf>acesso em 17 de out. de 2015.

RIBEIRO, Valmir Pinto e Borges; TEIXEIRA, Nincia Cecilia. A contação de histórias: rumo  ao letramento literário. Disponível em<http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals /cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2012/2012_unicentro_port_pdp_valmir_pinto_ribeiro.pdf >acesso em 10 de out. de 2015.

SALLES Jerusa Fumagalli de & PARENTE Maria Alice de Mattos Pimenta.-Processos Cognitivos na Leitura de Palavras em Crianças: Relações com Compreensão e Tempo de Leitura. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2002. Disponível em< http://www.scielo.br/pdf/ prc/v15n2/14356.pdf>acesso em 17 de out de 2015.

SALLES Jerusa Fumagalli de & PARENTE Maria Alice de Mattos Pimenta. Heterogeneidade nas estratégias de leitura/escrita em crianças com dificuldades de leitura e escrita. Pcico v. 37, n. 1, pp. 83-90, jan./abr. 2006.

SILVA, Ezequiel Theodoro da. Leitura e realidade brasileira.5.ed. Porto Alegre. Mercado Aberto, 1997.- São Paulo: Global: ALB- Associação de Leitura do Brasil, 2008.

TAVARES, Lúcia Helena Medeiros da Cunha. Gêneros e multimodalidade discursiva nas histórias em quadrinhos. R e v i s t a p r o l í n g u a 2010. Disponível em <http://periodicos. ufpb.br/ojs2/index.php/prolingua/article/view/15309/8691> acesso em 20 de set. de 2015.

THOMAZ.J.R. A relação entre a leitura e a alfabetização. Publicado em 22 de junho de 2009 em Educação. Disponível em <http://www.webartigos.com/artigos/a-relacao-entre-a-leitura-e-a-alfabetizacao/20116/#ixzz3V4uCcsVr> acesso em: 21 de março de 2015.

ZILBERMAN, Regina.Fim do livro, fim dos leitores?, São Paulo, Ed. Senac, 2001, p. 38.

ZECABINAZI, D. M. Educação literária e a formação docente: encontro e desencontros do ensino de literatura na escola e na universidade do século XX. João Pessoa.PB. 2011. Disponível em <http://bdtd.biblioteca.ufpb.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1808>  acesso em 15 de out. de 2015.



Nenhum comentário:

Postar um comentário